Da Idade da Pedra à Era dos Robôs: A Evolução do Pensar no Direito!

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Tarefas manuais e repetitivas caminham lado a lado na história do ser humano. Desde o período Paleolítico, popularmente conhecido como Idade da Pedra, podemos encontrar registros rupestres e vestígios de tarefas repetitivas: o polimento de uma ferramenta, o manejo do fogo, a confecção de vestes. Podemos dizer que naquela época, a repetição era a base da sobrevivência. 

O homem, como animal, possui essa facilidade ancestral em repetir processos para dominar o ambiente ao seu redor. Mas e quando o ambiente já está dominado? Ou quando repetir não é mais a solução para a vida? Vemos então, ao longo da história, o ser humano se recriando, inovando e inventando, graças, principalmente, à possibilidade de pensar — característica que nos diferencia de todos os outros animais — e é sobre o antagonismo entre repetir vs. pensar que abordaremos durante este artigo. 

Por um longo período da história, o ser humano precisou repetir para se estabelecer, para se inserir, para sobreviver, no entanto, todas as vezes, a repetição o levou a estagnar, por isso, se na Idade da Pedra a repetição era ferramenta de sobrevivência, em outras eras, ela nos estagnou ou, em casos mais graves, como na Era Industrial, ela nos aprisionou. E é impossível falar de processos repetitivos sem recordar a imagem icônica de Charles Chaplin em Tempos Modernos. Ali, a sátira revelava uma verdade cruel: o ser humano sendo moldado para funcionar como uma peça de engrenagem. O resultado? LER (Lesão por Esforço Repetitivo). 

Imagem: Reprodução do filme Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin via Papo de Cinema.

A tecnologia, porém, não parou nas engrenagens. Saltamos do vapor para o digital, trocando arquivos físicos por sistemas, o carimbo pela assinatura digital, as gavetas de aço pela nuvem, os protocolos de balcão pelos portais eletrônicos. Essa evolução prometia a liberdade definitiva do trabalho braçal, mas, ironicamente, muitas vezes apenas transferiu o esforço repetitivo para as telas. Criamos uma categoria de ‘operário digital’, que em vez de apertar parafusos, gasta horas replicando dados em sistemas estáticos e planilhas intermináveis, fazendo incontáveis vezes o Ctrl C e Ctrl V. 

Mas se outrora já tivemos problemas com processos repetitivos, permitindo erros invisíveis, trazendo exaustão corporal, para onde estamos indo com essa nova adaptação que vivemos? Será que caminhamos para a mesma falha do passado? Ou ainda mais, será que já não evoluímos e enfrentamos uma nova modalidade, um novo risco, por exemplo a LER Cognitiva? 

 

A LER Cognitiva no Direito Moderno. 

Quando forçamos um advogado — um ser pensante por excelência — a repetir o “aperto de parafusos” digital, o erro invisível deixa de ser uma possibilidade e se torna uma certeza estatística. 

O cérebro, tal qual o personagem de Chaplin, entra em um estado de alienação. A diferença é que o erro do advogado não trava uma esteira de montagem; ele gera uma revelia, um erro de preparo recursal ou o descumprimento de uma intimação que estava escondida em meio a centenas de tarefas manuais. 

Precisamos entender que pensar demanda tempo, energia e, acima de tudo, vontade. Ao longo da história, toda vez que o ser humano conseguiu delegar a repetição (seja para o vapor na indústria ou para o código na tecnologia), ele deu um salto de inovação. 

Pensar é o que nos permite estabelecer princípios, normas e atribuir o que vem a ser a verdade. É a nossa condição de existência. Por isso, manter processos manuais e repetitivos em nossas mentes não é apenas ineficiente; é um desperdício da nossa natureza essencial. 

 

O Advogado Estratégico vs. O Operador Braçal 

No cenário jurídico atual, vivemos um conflito direto com essa natureza. Pensar demanda tempo, energia, vontade e concentração. Tentar exercer essa nobre função enquanto a mente está sobrecarregada por processos manuais é, no mínimo, um convite ao erro.

No Direito, essa essência do pensamento é o que define o sucesso de uma tese. Quando o setor insiste em manter advogados presos a tarefas mecânicas, ele está indo contra a nossa biologia e desperdiçando o maior ativo do escritório. 

Se a história nos ensinou que a repetição gera erro e exaustão, a tecnologia moderna nos oferece a saída. Existem soluções que deixam de ser apenas ferramentais virtuais, mas passam a agir como aliadas da natureza humana, concedendo tempo ao advogado e aos escritórios, roubando as tarefas repetitivas para si. Um exemplo dessa tecnologia, são os robôs de automação da OYSTR ou a plataforma de gerenciamento de certificados e segurança digital, PRESTO. 

Nossas automações não foram criadas para substituir o advogado, mas para libertá-lo. Enquanto a máquina assume o “trabalho de engrenagem” — o protocolo, a consulta, o preenchimento de guias e a extração de dados com precisão cirúrgica — o profissional recupera o seu recurso mais valioso: o tempo. 

 

O que o advogado faz de melhor quando deixa de ser uma máquina? 

Ao delegar o repetitivo para a Oystr e/ou Presto, o advogado volta a ocupar o seu lugar de direito — pensar e ser estratégico: 

  • Cuidado com o Cliente: O tempo salvo da planilha é investido em ouvir, acolher e passar segurança. 
  • Refino da Tese: Menos carga cognitiva gasta em tarefas braçais significa mais cérebro disponível para encontrar aquele detalhe jurídico. 
  • Visão de Negócio: Em vez de apagar incêndios manuais, o gestor pode olhar para os dados e traçar o futuro do escritório. 

Se a ‘Idade da Pedra’ era sobre sobreviver à repetição, a nossa era deve ser sobre prosperar através da inteligência. O Direito é, em sua essência, uma ciência do pensamento — e nenhuma mente deveria ser limitada ao ritmo de uma engrenagem. 

A pergunta que fica não é mais se a tecnologia pode nos substituir, mas sim o que seremos capazes de criar quando estivermos finalmente livres do que é mecânico. Devolver o tempo ao estrategista e a voz ao pensador é o que nos move na Oystr e no Presto. Pois, no fim do dia, o futuro não pertence às máquinas que repetem, mas aos seres humanos que, ao pararem de apenas executar, finalmente voltam a criar.