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Automação e RPA

Todo mundo quer IA no jurídico. Ninguém está olhando para o que sustenta a operação.

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Giovanni Ometto
Publicado em 01 set 2026 · 4 min de leitura
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Todo mundo quer IA no jurídico. Ninguém está olhando para o que sustenta a operação.

Inteligência Artificial não substituirá o RPA na advocacia, pois as tecnologias são complementares, e não concorrentes. Enquanto a IA foca no trabalho analítico e ainda lida com “alucinações jurídicas”, o RPA garante a precisão determinística essencial para operações críticas e controle de prazos. Em suma: a IA pensa, o RPA executa.

RPA x IA

A narrativa vs. A realidade 

“A IA vai matar o RPA.” 

Se você frequenta eventos de inovação jurídica ou acompanha as discussões no LinkedIn, já deve ter esbarrado nessa afirmação. Há um fundo de verdade no entusiasmo: a Inteligência Artificial avançou de forma brilhante. Ela redige, resume, classifica e interage em linguagem natural. 

Mas há uma diferença abissal entre uma tecnologia promissora e uma ferramenta pronta para assumir a execução operacional — especialmente no universo jurídico, onde o custo do erro é, literalmente, zero.

Qual é o estado real da adoção de IA no jurídico? 

A grande verdade é que a maioria dos departamentos ainda opera na fase de “piloto”, e não em produção de larga escala. O Thomson Reuters Institute documenta perfeitamente esse cenário: hoje, apenas cerca de 22% das organizações utilizam a IA generativa ativamente em seus fluxos. 

Usar o ChatGPT para rascunhar um e-mail de alinhamento é experimentação. Agora, confiar em uma IA para capturar intimações de 500 processos por dia no PJe ou eSAJ, categorizá-las e garantir que nenhum prazo seja perdido, é operação crítica. E é aí que o jogo muda.

O problema que poucos admitem: a IA e a alucinação jurídica 

Um estudo da Universidade de Stanford (RegLab/HAI) revelou em 2024 um dado de alerta: modelos de IA de propósito geral alucinam entre 69% e 88% das vezes em tarefas jurídicas complexas. Mesmo em ferramentas dedicadas ao direito, essa taxa de erro varia entre 17% e 33%. 

Na tecnologia, chamamos isso de “alucinação” — quando o modelo gera uma informação falsa com extrema confiança e fluência. No direito, isso tem um nome mais pesado: erro material. 

O caso Mata v. Avianca (EUA, 2023) é o maior exemplo disso. Advogados foram formalmente sancionados e multados em US$ 5.000 por protocolarem uma petição contendo seis precedentes inexistentes, todos inventados pelo ChatGPT. O estrago reputacional para a banca? Incalculável.

E esse não é um problema distante. No Brasil, um caso recente relatado pelo advogado Henrique Bispo expõe o mesmo risco em solo nacional: uma cliente, após receber uma decisão desfavorável, consultou uma ferramenta de IA e, seguindo a orientação recebida, protocolou sozinha um recurso no sistema Projude do Tribunal de Justiça da Bahia — sem consultar a defesa. O problema: recursos exigem representação por advogado, o que tornou a peça tecnicamente inválida. O Tribunal não conheceu o recurso em menos de 24 horas. A IA orientou. O erro foi real.

Por que o RPA jurídico é diferente da IA? 

Enquanto a IA é probabilística (tenta “adivinhar” o melhor padrão ou resposta), o RPA é determinístico. Ele segue regras estritas. 

Veja por que a automação estruturada continua insubstituível: 

  • Precisão Absoluta: O robô executa a regra exatamente como foi programado. Sem variâncias ou interpretações criativas. 
  • Rastreabilidade total: Cada clique e cada captura ficam logados. O fluxo é 100% auditável. 
  • Segurança em Prazos: Uma intimação não capturada é um prazo perdido (e irreversível). O RPA elimina a margem do esquecimento. 
  • Manutenção Especializada frente ao Judiciário: Tribunais atualizam seus sistemas constantemente. O RPA conta com monitoramento dedicado para ajustar a rota imediatamente. 
  • ROI Mensurável: Escopo delimitado, custo definido e resultados visíveis em poucas semanas. 

O RPA está morrendo? Os números dizem o oposto 

Se a tecnologia estivesse obsoleta, o mercado estaria encolhendo. Porém, segundo a Grand View Research, o mercado global de RPA projeta um crescimento vigoroso de quase 40% ao ano (39,9% de CAGR) até 2030. 

A tese que venceu: Complementaridade 

A IA pensa. O RPA executa. A pergunta “IA ou RPA?” está errada. A pergunta certa, que os escritórios e departamentos jurídicos de ponta já estão fazendo, é: “Onde cada tecnologia opera com mais segurança no meu fluxo de trabalho?” 

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Giovanni Ometto
Conteúdo de automação jurídica

Formado pela ESALQ-USP e especialista em Marketing Digital, reúne mais de sete anos de experiência em marketing e comunicação. Na Oystr, lidera a produção estratégica de conteúdo, conectando soluções de automação e tecnologia de ponta ao dia a dia da advocacia. Amante de histórias, páginas e palavras.

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